BOWIE, gênio da moda pela música

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Foi durante esses dias em que o universo faz todo sentido que caiu a ficha sobre a grandiosidade do primeiro álbum de David Bowie em dez anos. Lançado em março, The Nex Day é a síntese da maior talento do camaleão popstar: dar ao mundo o que ele precisa naquele período.

Em 2004, o cantor interrompeu a turnê ‘Reality’ por conta de uma cirurgia de desobstrução de artéria e desde então estava em completa reclusão. Agora, em 2013, volta com novo CD — mantido em segredo até para o presidente da Sony Music Rob Stringer.

Fazendo uma associação ao universo atual da moda (e do mundo) com o álbum, é possível a interseção da melancolia e da ultra valorização de celebridades.

A primeira, melancólica, pode ser evidenciada pelas salas de desfile da SPFW de Verão 14, que está fresquinha na memória. E a atual situação econômica de muitos países também não é exatamente um sintoma de felicidade que se reflete no varejo. Incerteza tristinha é o mote de “Where Are We Now?”, música lançada — do nada — na data de aniversário de 66 anos de David Bowie. Lançado em seguida, o clipe dessa faixa é recheado de imagens de Berlim, cidade em que foi gravado o álbum ‘Heroes’, lançado em 1977.

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‘The Next Day’ é um trabalho cheio de referências à discografia do próprio Bowie, começando pela capa quase idêntica a do álbum “Heroes”, salvo algumas intervenções

Revisitar é a grande ordem. A New York Fashion Week de Inverno 13 deixou isso claro. O conceitual foi enxugado para mostrar coleções comerciais que exaltem o DNA da marca. Pode reparar que estilistas não se prendem mais a temas e inspirações principais. “Essa foi uma coleção que quis voltar ao verdadeiro significado DVF. O núcleo da marca. O que as pessoas esperam de mim”, pontuou Diane Von Furstenberg no backstage de sua apresentação de outono-inverno. Isso foi visto por aqui também com a coleção de Alexandre Herchcovitch, por exemplo. O estilista fez uma releitura de seu Verão 98/99 com o adicional de melancolia. Rá!

O revisitar, o melancólico e o valor exacerbado da cultura celebridade (e seus sub produtos) estão condicionados no segundo videoclipe do CD ‘The Stars (Are Out Tonight)’, com time andrógino Tilda Swinton, Andrej Pejic, Saskia de Brauw e Iselin Steiro.

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Diagnóstico? Flertamos com o futuro sem perder o passado de vista. O interessante é lutar para manter o centro da força e o equilíbrio necessário para sobrevivência.

E sobre o Bowie, ele mesmo tem a resposta sobre sua volta logo na faixa-título [animadíssima e recheada de riffs] que abre o álbum: “Here I am / Not quite dying” | “Aqui estou / Não estou morto”.

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