Em clima noir, Prada volta à essência com uso da beleza imperfeita

O desfile feminino da Prada na quinta-feira (21.02) reafirmou a importância das apresentações da grife italiana, principalmente pela atmosfera de mistério retratada ali, tanto para inspiração de Miuccia Prada como para interpretação da roupa apresentada.

Novamente, como no desfile masculino de junho, o cenário da passarela foi construído pela OMA, empresa de arquitetura fundada por Miuccia e Rem Koolhaas. A intenção? Passar a ideia de “irregularidade em um ambiente industrial com algumas manifestações de rotina doméstica”, como diz o release. As paredes desse espaço eram ocupadas por projeções, uma com a silhueta de uma mulher solitária, outra com pássaros voando e a terceira de um gato na janela.

Prada

Surpreendente. Esta coleção extremamente usável e chic foi pensada pela mesma mulher que tornou plataformas vertiginosas de gueixa uma vontade da moda. “Raw elegance/Elegância crua”, tuitou Cathy Horyn, jornalista de moda do The New York Times, sobre a definição de Miuccia para sua coleção de inverno 2013. “Fading Beauty/Desvanecimento da Beleza” foi outro tema abraçado pela designer — dai a atmosfera de filme noir e a quantidade de sombras no set, tanto das projeções como para iluminação da passarela.

Ligando os pontos, a elegância crua tem a ver com a motivação de vários estilistas que mostraram suas coleções em Paris e Nova York: exaltar a essência, o DNA, o início de sua história na moda. Miuccia colocou na passarela uma coleção pessoal, recheada de suas referências favoritas que passeiam pelas décadas, começando pelos anos 40 até os 90. Tudo para provocar aquela ligação emocional que esperamos de um desfile do Grupo Prada.

A silhueta das saias evasês, por vezes, tinham volume extra na lateral adicionando assimetria com barras de alturas diferentes. Apesar dos tweeds pesados e da flanela em alfaiataria, a roupa consegue transmitir feminilidade, sempre com a cintura marcada. Os casacos tem volume na parte do antebraço, vezes aquecido por chinchila, vezes ampliado com excesso de tecido. Já os casacos de pele são clássicos e pesados, como o de mink em tom marrom.

O contraponto perfeição-imperfeição surgiu também na beleza com cabelos molhados do tipo “acabei de sair do banho” e batons apagados. Nas roupas, as sobreposições com alças caídas e os zíperes e botões abertos evocam a simplicidade e conforto, que também podem ser sensual e ultra (ultra) chic.

As bolsas surgem grandes, oversized, tipo bowling bag (de boliche) trabalhadas em croco, tweed, couro com aspecto envelhecido e padronagem quadriculada. O próximo hit da Prada serão os brogues com solado grosseiro, chunky.

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Que lindo o look final com transparência decorada com bordados pretos e brilhantes e o casaco de pele sóbrio

Tivemos três brasileiras na passarela: Adriana Lima, Aline Weber e Daiane Conterato.

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