Entenda a diferença entre vintage, retrô e antique

A cada dia que passa o uso de peças vintage aumenta no guarda-roupa e até mesmo na decoração de pontos comerciais.

Mas me pergunto quando uma peça passa a ser considerada vintage? Existe um tempo de envelhecimento?

O tempo é certamente um parâmetro para determinar uma peça vintage. De acordo com o dicionário Merriam-Webster, vintage significa pertencente a uma época, um período de origem, antigo, de interesse reconhecido e duradouro, importância ou qualidade.

Na Holanda, país muito em voga para inspiração de tendências, objetos de decoração com menos de 100 anos são carinhosamente chamados de ‘objetos da vovó’. Quando alguma peça atinge um século, automaticamente recebe o título de ‘antique’ e logo ganha uma casa nova: um antiquário.

Fica claro que com o passar das décadas o valor de um produto aumenta, gerando uma herança histórica e por vezes tornando-se um símbolo cultural.

Roupas e acessórios vintage são exibidos com orgulho pelo fato de serem exclusivos e ainda possuírem uma carga hereditária. Foi essa exclusividade que atraiu os holofotes para Julia Roberts ao receber o Oscar por Erin Brockovich portando um Valentino vintage. O vestido preto longo com detalhe em branco retornou ao acervo e foi parte da mostra retrospectiva do estilista.

Para muitas fashionistas, vintage é sinônimo de chique. Para outros é uma forma de se destacar dos demais ao mesclar com roupas novas e criar um estilo autoral. Kate Moss e Vanessa Paradis são duas celebridades que adotaram essa forma de vestir. Stylists como a famosa Rachel Zoe lançam mão do vintage para refrescar o look e criar algo único.

rachel_zoe_style_icon-ehoH9I

Rachel Zoe

No entanto, as dúvidas continuam. Como saber se o vestido que pertenceu à mãe é vintage ou fora de moda?

Às vezes a moda lança modelos parecidos “só que diferentes” daqueles que se usou em certa época.

Tomemos como exemplo a calca jeans modelo clochard. Nos anos 80, no Brasil, a clochard da Forum era essencial para todas as it-girls. Atualmente percebemos traços semelhantes nas calças boyfriend, àquelas de então como a modelagem oversize. Entretanto, não se trata de um relançamento, apenas uma releitura. Uma inspirou a outra.

aba_8964-2-by-hanneli-mustaparta-521x804

Seguindo essa mesma linha, poderíamos afirmar que um vestido dos anos 90 pode servir de inspiração para tendências atuais, mas não é uma peça vintage. Por outro lado, um vestido dos anos 30, além de servir como referência para tendências atuais de moda, também é uma peça vintage.

Consideradas “sourcing”, ou a grosso modo “produto de fonte”, componentes como fivelas ou medalhas, aviamentos como botões e tiras bordadas são objetos muito procurados para pesquisa.

A busca por peças antigas que trazem consigo detalhes que somam beleza e história ao mundo do vestuário e do calçado representa, atualmente, uma nova modalidade de negócios.

Escritórios e salões especializados em vintage estão presentes em cidades como Nova Iorque, Paris e Milão. Plumas, tiaras, broches, retalhos de rendas e tecidos, amostras de passamanarias e tapeçarias, medalhas e camafeus, peles, bolsas em todos os tamanhos e para todos os momentos… O elenco ofertado aos “Trend Forecasts” é vastíssimo.

As informações me levam a crer que as tendências nascem do reciclar de antigas tendências que em um certo momento não representam mais algo fora de moda. Sendo assim, o processo segue a lógica que parte da tendência atual para o estágio considerado fora de moda, ou ultrapassado, até que com o passar do tempo torne-se vintage.

GUIA PRÁTICO

– Roupas ‘antique’ são artigos datados antes dos anos 1920 (século XIX, a Era Belle Époque)

– “Vintage” são artigos datados depois dos anos 1920 até a metade dos anos 1980.

– “Retro” são roupas casuais dos anos 60 e 70.

Regra de ouro: “Roupas e artigos com menos de 20 ou 25 anos de idade não são consideradas vintage”.

Você concorda? Qual a sua opinião sobre vestir roupas vintage?

Anúncios