Jeanswear no Centro-Oeste + Resumão GoFashion, Inverno13

jeans

O centro-oeste do Brasil tem uma relação peculiar com o jeanswear. Apenas em Goiânia, existem cerca de 3.800 confecções registradas, segundo o Sindroupas. As edições da semana de moda GoFashion exaltam essa história particular da cidade com o denim, tanto na identidade visual como no line-up (2/3 são de confecções locais).

Com o olhar consumidor, Goiânia tem preferência pela calça tipo baggy e é a cidade em que mais se compra em loja própria, segundo pesquisa deste ano da empresa Invista, que estudou hábitos de consumo de jeanswear em capitais brasileiras.

Brasília tem o maior índice de uso de jeans no trabalho. As brasilienses tem preferência pelo modelos tradicional e skinny. A capital federal também é a região onde os homens mais usam calça justa e tem o maior índice de compra: oito peças por ano.

Resumo aqui os dois últimos dias de desfiles da segunda edição do GoFashion [30/01-01/02], que é uma semana de moda criada com intuito de divulgar nacionalmente a produção goiana. Percebeu o poder do jeans?

BASTOS

O militarismo embebedou o inverno 2013 da marca goiana Bastos. Aqui, ele, o militar, aparece de forma literal com camuflados ou em bermudas de corte sequinho com ‘pique’ na barra — que faz lembrar insígnia militar. Elementos da alfaiataria moderna se fazem presentes junto com as calças curtas e peças que foram pensadas em blocos de cores ou texturas.

A roupa da passarela tem vontade utilitária. Afinal de contas, um soldado precisa estar preparado para as mudanças climáticas.

Na cartela de cores: preto, verde militar, vermelho e mostrada.

BRAID

Animal print, referências boho-chic, padronagens geométricas. Sempre que possível, essas propostas foram combinadas ao denim para moda jovem da Braid, outono-inverno 2013.

JEAN DARROT

Um nível acima, o jeanswear da Jean Darrot tem detalhes sofisticados na camisaria feminina com aplicações de pedrarias (ou bijuterias) nas golas e punhos. Mesmo casual, a marca entende que sua consumidora precisa de uma roupa que também possa ser usada à noite, pós trabalho. Para os rapazes, moda ‘maurício’.

LUCAS SILVEIRA

A apresentação do designer Lucas Silveira foi a mais experimental do evento, unindo elementos que não caminham necessariamente juntos. A começar pela trilha sonora cheia de contrapontos: Björk com “Declare Independence”; Raul Seixas com “Mosca na Sopa” em ritmo maracatu; e o grupo local Baú Novo, com performance ao vivo da inédita “Goiânia de Samba”.

Talvez esse seja o início de uma nova fase, uma transformação, um unissex de maior impacto. Apesar da marca Lucas Silveira se vender como masculina, são as mulheres as maiores consumidoras. A grande diferença aqui é que modelos mulheres desfilaram as criações do designer. Dos 12 looks, sete foram desfilados pelo sexo feminino. Androginia é o ‘barato’ aqui, uma vontade cada vez mais consolidada pela indústria, mas ainda engatinha no mercado brasileiro.

O start da coleção se deu com uma simples imagem de cotidiano: uma mosca que posou em um quadro do atelier de Lucas. A pesquisa sobre a simbologia do inseto inspirou o designer mineiro. Na passarela, o designer evoca a metamorfose — do humano para a mosca rainha, daí a coroa no fim da apresentação e o nome de batismo para coleção Avesso.

Couro sintético, devorê de seda, tule e malha poliamida estão entre os materiais usados na coleção, além da tela de plástico usada para cobrir o rosto dos modelos e simular a ‘cabeça de mosca’. Os acessórios artesanais são criações de Ronan Gonçalves, que assina o styling do desfile ao lado de Hugo Mor.

PACTUS

Como esperado, o desfile da Pactus foi uma apresentação de macro-tendências  ou seja, uma moda já difundida que é desejo para o grande público. O militarismo, o shape sereia, o peplum, o cropped, o barroco europeu e os vestidos esvoaçantes estavam ali, prontos para ocupar um lugar no guarda-roupa das brasileiras.

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