LUVAS – Objetos de culto são identificados durante semana de haute couture francesa

Os desfiles ansiosamente esperados durante a semana de alta-costura parisiense são Dior e Chanel, entre outros tantos nomes como Valentino, Giambattista Valli e Giorgio Armani Privé.

Nas ruas e passarelas, a grande promessa são as luvas!

DIOR HAUTE COUTURE, VERÃO 2013

Longas para vestidos de noite e com os dedos unidos para momentos esportivos, as luvas passam, a partir deste inverno, por um momento de revival. Feitas em couro de carneiro elas exaltam a maciez, porém o exótico é evocado nos modelos em píton ou iguana. Existem até as luvas feitas em couro perfumado ou adornadas em plumas e penas. Essas últimas são adoradas por colecionadores.

Luvas de dia, luvas de noite, luvas de renda, luvas de ski… A variedade é surpreendente!

Adquirida recentemente pela Chanel, a tradicional Maison Causse é especializada na fabricação de luvas e espera que a peça retome o seu lugar de prestígio na toilette feminina. “Nosso desafio é produzir luvas que tenham a dimensão de joias para as mãos. Se trata de vestir as mãos, de dar estilo à pessoa que vai vesti-las”, disse Manuel Rubio, diretor da marca.

CHANEL HAUTE COUTURE, VERÃO 2013

A origem das luvas remonta ao século XII. Já na história da moda, a longa linha do tempo recebe destaque com Maria Antonieta que adotava modelos diversos para combinar com seus diferentes vestidos. Em sua biografia, Jean Louis Fargeon, perfumista de Maria Antonieta, narra como criava luvas especialmente perfumadas que tinham por propriedade dar maciez à pele.

Mais tarde, a Imperatriz Joséphine, mulher de Napoleão, chegava a encomendar 985 pares de luvas ao ano!

1814_empress_josephine_by-2

Joséphine de Beauharnais foi a primeira esposa de Napoleão Bonaparte, e,
portanto, a primeira imperatriz dos franceses

Na virada do século XIX, durante a Belle Époque, sair às ruas com luvas era ainda hábito obrigatório e peça essencial do vestuário.

O uso das luvas no hemisfério norte perdurou até a década de 60 quando já curtas eram vistas em volantes esportivos ou em combinações futuristas. A abolição veio acompanhada da adoção do jeans ao guarda-roupa.

Image Two

La Belle Époque e a Moda Edwardiana

Na China, o culto à pele clara e sem manchas faz com que o hábito do uso das luvas permaneça até os dias atuais entre as senhoras de tradição.

Atualmente, restam somente três grandes nomes ou maisons especializadas na arte da fabricação de luvas na França. São elas: Lavabre-Cadet, Fabre e Causse.

Do outro lado do Canal da Mancha, a história nos mostra que a Rainha Elizabeth recorreu à Dent’s para fabricação das finas luvas em couro usadas durante a cerimônia de sua coroação. Fornecedor oficial de luvas da coroa inglesa, a casa Cornelia James, está presente no guarda-roupa de sua majestade desde seu casamento em 1947 até os dias atuais.

desfile-chanel-paris-hc-verao-2013-1701

Karl Lagerfeld já uniu sua imagem às suas luvas com dedos cortados. Em um mundo onde a estética é ditada por acessórios, vale acreditar nas escolhas do Kaiser – apelido de Lagerfeld –, que aposta abertamente no retorno dessas peças que enriquecem os gestos femininos.

Anúncios