Romantismo e luar de Diamantina são pontos de partida para o Inverno 2014

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O Inspiramais de Verão 2014 acabou na última sexta-feira, mas o que foi mostrado ali permanecerá por algumas temporadas na cabeça de profissionais e pessoas que pensam moda. O espaço que mais me chamou atenção foi o estande Referências Brasileiras — um projeto com direção criativa do estilista Jefferson de Assis que exalta o futuro, o que vai ser a vontade da moda duas estações à frente.

Ali, naquele espaço, estavam dispostas tendências que farão parte do Fórum de Inspiração da próxima edição do evento, ou seja, insights de Inverno 2014. “A referência do luar é a mais marcante para o próximo inverno. E nisso entra a história da noite e dos seres noturnos”, disse Jefferson sobre o que acredita ser o start do frio em 2014 para a moda.

Como estamos falando de Brasil, o estilista foi buscar na cidade de Diamantina (MG) o ‘luar brasileiro’, em agosto de 2012. “Lá os seresteiros contemplam a lua. São, provavelmente, os compositores que mais expressão sua paixão pelo luar. Por isso passei um tempo na cidade para buscar todos esses elementos e descobri que a música de lá está muito relacionada com a natureza, por isso trago elementos como o troco de árvore, a flor, os minerais…”.

O seresteiro pede para que a janela se abra e revele a namorada e não que a namorada vá até a janela. Essa é a razão da disposição dos protótipos da mostra, com display idealizado como várias janelas.

Depois do trabalho de pesquisa, Jefferson decodificou seus produtos inspiradores que dividiu em pequenos grupos: minerais — parte importante do DNA da cidade de Diamantina [garimpo], vidraça e suas dobradiças, Orvalho da Noite [esferas de vidro que cobrem o produto como o orvalho cobre as folhagens].


Depois de idealizar os produtos o estilista foi ao Polo Calçadista de Nova Serrana, em Minas Gerais. “Lá temos quatro empresas que ficam responsáveis pela confecção dos protótipos, com exceção das bolsas que são produzidas na região de Franca”, pontua o estilista.

Claramente vi o desafio que deu vida ao conceito de Jefferson. “Sim. Arranjei inimigos com vários modelistas [ele ri]. Mas esse é o mote deste projeto: ter um produto arrojado. Do mesmo jeito que funciona uma feira de automóveis que tem carros conceito, aqui temos um sapato conceito para vender no grau máximo a experiência, no grau 10. Claro que depois com a decodificação, isso vira pingente, vira enfeite de cristal.

A razão para os produtos estarem dispostos em réplicas, uma em tom claro e uma segunda em azul? O azul mais sóbrio além de ser uma referência ao anoitecer, deixa o protótipo ideal para noção espacial que os designers tanto precisam.

Curiosidade: O tempo total de execução do trabalho é de cerca de cinco meses. Jefferson já estava com os protótipos finalizados em dezembro porque a maioria das fábricas fecha e não voltam exatamente no início de janeiro.

*As canções usadas como legendas para os produtos são do Coral Arte Miúda.

Imagens©Bruno Santos

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