MODA ITALIANA – Atenção! Política e Amor à Pátria

Giorgio Armani foi o primeiro a sinalizar que o governo italiano deveria dar mais apoio ao setor da moda: “O Estado precisa dar uma mão a quem deu uma mão ao Estado por tantos anos na Itália e no mundo.” Reivindicando maior atenção dos políticos e considerando a proximidade das eleições, Armani afronta a situação. “Quem quer que vença as eleições e quem quer que ascenda ao governo deve ajudar aqueles que sabem dar bons resultados para o país. Seria um suicídio não dar espaço a um setor como o da moda, que rende tanto. Existem muitas formas de favorecer um âmbito produtivo, um dos primeiros é aquele da política do crédito”, finalizou o Senhor Armani.

Em seguida, Renzo Rosso declarou que o Made in Italy é responsável por atrair negócios para o país e portanto seria natural receber maior deferência do governo italiano que atualmente se encontra distante do setor.

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Empresário Renzo Rosso

Por fim, o presidente da Gucci Patrizio di Marco fez das palavras de seus colegas empreendedores as suas assinalando que já é hora de um reconhecimento diferenciado para o setor. “ Seria um dever que o governo fizesse aquilo que deve ser feito pela moda que é produzida no país, mas se isso não acontece, é fundamental que a iniciativa privada faça por conta própria.

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Patrizio di Marco

Parece que Renzo Rosso compartilha das mesmas ideias que di Marco, pois enquanto a crise econômica financeira povoa a Europa como um todo, o espírito patriótico do fundador da Diesel falou mais alto em uma ação que unirá o útil ao rentável.

A Only the Brave, sociedade de Rosso, restaurará a histórica Ponte di Rialto de Veneza. Com um investimento previsto de cinco milhões de euros, a obra deverá ser entregue à comunidade em 2015.

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A Ponte de Rialto é a ponte em arco mais antiga e mais famosa sobre o Grande Canal, na cidade italiana de Veneza

A reforma deverá começar em 2014 e será completamente financiada pela empresa de Rosso, que em contrapartida poderá utilizar o local para publicidade de suas marcas, provavelmente a Diesel.

Disposto a fazer um excelente trabalho, Renzo Rosso esclareceu ainda que o custo relativo à restauração da ponte é inferior ao proposto por seu patrocínio. Sendo assim, o empresário prevê ainda a execução das obras do ático de acesso à ponte. “Gosto de restituir à sociedade e ao território o quanto deram a mim e à minha atividade”, declarou o fundador da Only the Brave durante a coletiva de imprensa que anunciou a ação.

“A publicidade será criativa. Sempre fiz coisas diferentes do comum. Realizei paredes artísticas ao redor do mundo e espero poder dar algo que dê maior visibilidade para Veneza”, disse Rosso sobre como usará o seu espaço para marketing. Convenhamos que, nada pode ser de maior mal gosto que as polêmicas campanhas da também italiana Benetton. Provocantes, as campanhas publicitárias da Diesel são em sua maioria jocosas.

Natural da cidade de Breganze, situada na região do Veneto, a sociedade Only the Brave foi a única a apresentar uma oferta na licitação aberta para a recuperação do monumento de patrimônio veneziano.

Ações em prol do patrimônio histórico italiano não iniciaram-se com Rosso. Ano passado, Diego Della Valle — o proprietário da Tod’s e da Hogan — financiou a recuperação do Coliseu de Roma. A intervenção no valor de 25 milhões de euros inclui ainda a manutenção e iluminação do monumento nos próximos dois anos.

A última a anunciar seu empenho na manutenção da herança histórica é a Fendi. De propriedade do grupo LVMH, a marca oficializou seu patrocínio na restauração da Fontana di Trevi, Roma. As obras deverão iniciar já no próximo mês de março.

Ainda com uma participação acionária simbólica, a presidente da Alta Moda de Roma Silvia Venturini Fendi anunciou a operação.

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Maria Silvia Venturini Fendi, filha de Anna Fendi, é chefe de departamento de estilo da grife italiana

Projetada por Nicola Salvi e inaugurada no século XVIII, mais precisamente em 1735, a célebre fonte recentemente apresentou rachaduras e queda de fragmentos.

Enquanto a moda se mobiliza para salvaguardar o patrimônio artístico italiano, quem se mobilizará para salvaguardar a moda italiana da crise?

Imagens©Reprodução

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