Controversa e indiferente a críticas, Rihanna traça novo perfil para cantoras pop

Foi durante um desses finais de semana — quando é hora de reunir os amigos para viver as delícias da vida noturna — que me dei conta que comentar sobre a cantora Rihanna de maneira despretensiosa virou rotina. E isso, amigos, é a melhor estratégia de marketing que existe. “Toca Diamonds” é frase batata para qualquer pré-balada que se preze, vamos combinar!

Mas quando surgiu todo esse poder de influência? A fama de Rihanna é atípica. Seu sétimo álbum Unapologetic ocupa o topo dos rankings há quatro semanas. Caso você esteja pensando em comprá-lo, escolha a versão deluxe que vem com fotos e DVD com curta-metragem filmado em 2011, durante o fim de sua turnê em Londres, e com cenas de bastidores que incluem reuniões com a grife italiana Giorgio Armani.

Voltando, a cantora barbadiense de 24 anos já vendeu mais cópias digitais do que os Beatles, por exemplo. Mas todo esse sucesso é perseguido pelos acontecimentos de fevereiro de 2009 quando Rihanna foi agredida, durante uma discussão, pelo então namorado, o cantor pop Chris Brown. Ele enforcou Rihanna e a agrediu principalmente na face. Casos de violência doméstica não são novidade no mundo da música, mas com o poder da internet tudo ganhou maiores proporções e em tempo real. O mais recente álbum de Riri, Unapologetic, é o reflexo do que aconteceu três anos atrás.

O próprio Chris Brown aparece no novo CD em dueto para faixa “Nobody’s Business”, que não deixa de ser um recadinho aos que tem forte opinião sobre os acontecimentos de 2009 e alguns rumores atuais. Quem acompanha o Twitter e Instagram de Rihanna sabe que polêmica é com ela mesmo. Várias são as indicações da volta do namoro com Brown. Em um de seus tuites, a cantora escreveu “Beautiful is great, submissive is even better” / “Beleza é ótimo, submissão é melhor ainda”. Todo esse burburinho “erradíssimo” só dá maior popularidade a Rihanna.

Cantar que é bom, nem tanto. A quantidade de Auto-Tune deixa tudo mais difícil de se precisar. Se você assistiu a cantora ao vivo sabe do que estou falando. Mesmo live, ela se cerca de competentes cantores de backing vocals para não transparecer imperfeições.

O mérito de Rihanna fica mesmo em ótimas escolhas de músicas. Sim, ela é do grupo de músicos que não compõem as próprias músicas. Sabia que “Umbrella”, #1 de Riri, foi oferecido primeiramente a Britney Spears? “Diamonds”, seu mais recente single, é romântico, calminho e não exatamente dançante como se espera do primeiro single de uma cantora pop com novo projeto. Mas Rihanna faz funcionar. Atualmente, é difícil imaginar uma volta de carro pela cidade sem o momento sing along “shine bright like a diamond”. Vai dizer que você não curte?

Destemida, a cantora fez uma performance de “Diamonds” — em coturnos Timbaland e jaqueta camuflada — no Saturday Night Live com projeções em chroma key! Rihanna entende que ela não deve seguir fórmulas de sucesso, ela deve criá-las — pensando fora da caixinha.

É triste perceber que pessoas com tanto poder de influencia não tem, exatamente, uma mensagem ou filosofia de vida interessante que possa inspirar seus seguidores. Mas em uma era em que não existe “má publicidade”, esse pode ser justamente o ponto forte de Rihanna: não se desculpar por ser uma (very) bad girl

Anúncios