MODA & FETICHE

Cinquenta Tons de Cinza”, best seller do momento, virou sucesso e traz a tona um assunto polêmico e intimista: o fetiche. Mulheres de diferentes idades, estilos e gostos se renderam a história (meio clichê) do homem rico que seduz a jovem inocente. Mas além da leitura morna e do romance com ares machistas, o sexo e o sadomasoquismo também são temas abordados na história, onde a sexualidade e a busca pelo prazer viram protagonistas.

A popularidade do livro, e consequentemente do tema, trazem de volta o espírito fetichista que vive escondido (ou não) dentro de nós. Na moda, o fetiche é caracterizado pelo jogo de ‘mostra e esconde’ e algumas características marcantes como o uso do couro, látex, peças justíssimas e claro, os acessórios do mundo ‘sado-masô’. Todos ‘regados com uma pitada’ de fantasia sexual.

Marquês de Sade, mestre da libertinagem e principal precursor do uso da dor como forma de prazer no século XVIII, viveu vários escândalos pervertidos que tornaram-se clássicos da literatura erótica. Trazendo essa temática para atualidade, até a década de 1960 esse tipo de vestimenta e estilo de vida era escondido em razão dos costumes tradicionais da época. Esse tabu foi usado como referência nas artes e na própria moda de então.

Com a libertação sexual que aconteceu entre os anos 60 e 70, a ousadia da sexualidade começou a ser explorada na mídia e tornou-se enfoque de muitos trabalhos artísticos. O fetichismo, por sua vez, também entrou nessa leva de referências. Nomes como o fotógrafo alemão Helmut Newton foram responsáveis por glamourizar o fetiche e trazer para a moda os ares fantasiosos do S&M.

A dama da moda britânica Vivienne Westwood e o francês Jean Paul Gaultier criavam looks que exaltavam o poder sensual do fetiche e, indo mais além, mostraram para as mulheres que botas, saias, corpetes e cintas-liga provocantes não tinham apenas o poder de excitarem seus parceiros, mas de trazer libertação e autoestima.

Nos anos 90, Madonna levou o sexo novamente ao spotlight com o álbum ‘Erotica’ e com sua postura dominadora — uma espécie de alter ego que transformou a diva do pop em uma autêntica dominatrix. Naquele momento, marcas como Calvin Klein já apostavam no nu e na beleza da sensualidade como fontes de referência e encantamento do público.

O fetiche foi revisitado em vários momentos na moda depois que foi difundido. Mais recentemente, em 2010, a Vogue Paris lançou sua edição de comemoração de 90 anos com a modelo Lara Stone nua e mascarada, com várias páginas dedicadas a perversão sexual em uma versão fashionista.

Logo depois, em 2011, a Louis Vuitton trouxe para o catwalk da Paris Fashion Week uma coleção nitidamente inspirada no tema, com direito a quepes, transparência e até algemas. Um visual intimista com quê de sexualidade à flor da pele. Uma tradução de mulher poderosa que meia volta retorna ao mundo da moda, para deixar nossas vidas e looks menos monótonos e mais sensuais.

Até nos desfiles de Spring 2013, onde o frescor da primavera é destaque, houve espaço para a sexualidade fetichista. Hervé Léger e Jason Wu, integrantes da New York Fashion Week, mostraram amarrações, bustiês, luvas e o couro preto — carro chefe da estética do fetiche. Já aqui no Brasil, na edição de Inverno 2013 do São Paulo Fashion Week, Lino Villaventura e Ellus foram os responsáveis por apostar no tema. Uma ode à libertação sexual e pessoal, onde o objetivo é instigar o prazer.

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Jason Wu, Spring 2013

Imagens©Reprodução

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