Saint Laurent (Man-Infest): a polêmica em torno da maison francesa

Saído da Dior Homme para assumir a direção criativa da Maison Yves Saint- Laurent, Hedi Slimane tem sido protagonista de inúmeras polêmicas desde sua decisão em alterar o nome da emblemática casa francesa.

O exercício de rebranding da marca tem sido no mínimo confuso. Na semana anterior ao desfile, o departamento de imprensa enviou um e-mail instruindo a mídia em relação à nomenclatura da marca. A maison deve ser referida como ‘Yves Saint- Laurent’. ‘Saint- Laurent Paris’ é usada na logomarca, mas não deve ser usada quando falado ou escrito sobre a coleção(?). Os créditos da coleção, referentes às peças fotografadas: ‘Saint Laurent by Hedi Slimane’.

Hedi Slimane. Vilão de novela?

A primeira loja dedicada ao novo conceito foi inaugurada em Shangai e aquela de Milão abandonou a tradicional Via Montenapoleone para se instalar em uma de suas perpendiculares sob o nome Saint Laurent.

Ainda em setembro, a campanha da marca, elaborada pelo próprio Slimane, surpreendeu por exibir o rocker Christopher Owens com suas madeixas e tatuagens a dorso nu e sem alguma peça da marca. No final de semana que antecedeu ao desfile, o estilista lançou o novo site da grife com e-commerce dedicado somente às suas criações.

A paciente espera da imprensa internacional, ao contrário do que se esperava, surtiu mais desapontamentos do que elogios. É bem verdade que a equipe de relações públicas da marca contribuiu intensamente para o insucesso do desfile-début de Slimane. Jornalistas renomados e críticos de moda foram remitidos à segunda ou terceira fila e até mesmo colocados em pé enquanto outros nem sequer foram convidados. Um desses casos é a crítica do New York Times Cathy Horyn. Autêntica e dotada de uma língua afiada, Cathy fez questão de publicar que não tinha sido convidada ao desfile e que por isso suas impressões eram como a de muitos outros… Feita das fotos do desfile.

Realizado no Grand Palais em Paris, no dia 1 de outubro, o desfile recebeu 400 convidados porém foi incapaz de conquistar o público. O desejo de liberdade e modernidade anteriormente anunciado não compareceu à passarela. Modelos que marcaram o final dos anos 60 e início dos anos 70 revisitados em uma modelagem enxuta, não causaram grandes emoções. Estavam lá o smoking, a túnica safari e o chapéu boêmio de abas largas, entre outros.

A luz fraca e a música baixa, ao contrário de inspirar o escurinho boêmio, ofuscou os detalhes das peças, em sua maioria, pretas. Algumas cores foram contempladas mas nenhuma de forma expressiva.

Surpreendentemente, a imprensa foi avisada que o estilista não responderia a nenhuma pergunta após o desfile no backstage, mas que estaria pronto a receber cumprimentos.

Depois do desfile, Hedi Slimane não se conteve e publicou uma carta aberta onde — em caráter um tanto quanto sarcástico — insulta a jornalista do NY Times. A infantilidade é tamanha que a carta se intitula My Own Times.

Me pergunto qual é a grande vantagem de todo este movimento. Qual seria o real objetivo ao destruir uma das logos mais bonitas e perfeitas da história da moda? Yves Saint- Laurent, ao longo do século XX, simbolizou irreverente elegância e sensualidade inovadora. Yves foi o grande criador, um gênio que buscou riquezas culturais de diversos países, criando paletas inesquecíveis; que uniu o preto ao rosa como um clássico. Foi Saint-Laurent que nas artes fez nascer vestidos e conjuntos, que merecidamente foram imortalizados na história da moda e do costume. Dotado de um amor imenso por sua arte, era Yves que todas as coleções assinava com um coração estilizado.

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