TOM FORD: como o designer texano construiu seu nome na indústria da moda

Como um designer pode tornar-se icônico deixando para trás o mundo dos holofotes? Como uma loja com coleções repletas de peças contínuas pode ser considerada um templo de luxo? E ainda, como um texano que queria ser ator consegue interpretar tão bem a indústria da moda ao ponto de fazer com que cada uma de suas criações torne-se objeto de desejo?

De quem estou falando? Possivelmente, você que está lendo este texto, já saiba quem é o icônico designer americano, amante de cinema e referência para a moda e sua história. Tom Ford: aquele capaz de unir a controvérsia com o universal em sua criação.

Amigos Terry Richardson e Tom Ford

“Comunicação é uma grande parte do design – todo design deve dizer alguma coisa, certamente – e por vezes você tem que falar por você mesmo.” declara Ford.

Fazendo uma retrospectiva nos últimos 30 anos da história da moda podemos dizer que se tem uma coisa que Tom Ford sabe fazer com excelência é comunicar seu produto. Dos tempos que revitalizou a então esquecida marca italiana Gucci aos momentos vividos na Yves Saint-Laurent, até chegar de volta a Nova Iorque e emplacar um filme protagonizado por Colin Firth, Ford sempre demonstra ser dotado de um bom gosto extraordinário, capaz de transformar o desejo sensual de toda mulher em elegância.

Formado pela Parson’s de Nova Iorque em ‘Interior Architecture’ (design de interiores), Tom Ford teve seu primeiro emprego na moda com a designer Cathy Hardwicke.

A admiração pelo estilo europeu sempre esteve presente no designer que em 1990 assumiu a direção criativa da casa italiana Gucci. Naquela época nenhuma mulher imaginava vestir-se em Gucci. Foi Ford que trouxe o desejo à luz da realidade. À partir de Tom Ford, a grife italiana trouxe ao guarda-roupa feminino o ‘allure’ e a vibração do legendário Studio 54 de NY – umas das conhecidas inspirações do estilista. Em três anos, o reinado Tom Ford/Gucci se transformou em 11 linhas de produtos incluindo a linha feminina , masculina e perfumaria.

Kate Moss deslumbrante na campanha da Gucci em 2011

Sempre atento à comunicação, Tom convidou nomes reconhecidos como Carine Roitfeld e Mario Testino para pilotar as campanhas de divulgação de suas coleções para a Gucci. O resultado atingido em 5 anos foi assombroso: 90% de crescimento no faturamento!

Quando o grupo PPR, proprietário da Gucci, acrescentou a francesa YSL ao seu conglemerado de empresas, elegeu Tom Ford diretor criativo das duas grifes. Era a vez do estilista fazer acontecer em Paris. O desafio apresentou-se desumano com jornadas diárias de 20 horas de trabalho e 18 coleções ao ano (total). Pressionado, em 2004 o icônico designer deixou o grupo “entre tapas e beijos”.

Carine Roitfeld e Tom Ford

Lembro-me do relato feito por uma funcionária da Gucci que contava que na ocasião do último desfile para a marca em Milão ela chorara. É assim: Tom Ford emociona, contagia e une tudo e todos em torno do glamour que sabe criar e propor. Tal verdade é registrada no filme O Diabo Veste Prada no comentário em que a editora teria aberto um sorriso somente durante o desfile da coleção de Tom Ford para Gucci.

Terry (ao fundo) e Beyoncé Knowles

A pausa das passarelas não o ofuscou, pois seus óculos, perfumes e maquiagem caíram no gosto feminino global. O ano de 2011 marcou a volta aos desfiles femininos com uma coleção apresentada em Nova Iorque, com a participação de modelos inusitadas como Beyoncé e Laura Hutton. Mais um strike foi marcado com a estratégia na inovação comunicativa: somente o fotografo Terry Richardson foi autorizado a fotografar o momento. A exclusividade gerou burburinho, muita curiosidade e mais uma vez: desejo!

Gwyneth Paltrow durante o Oscar deste ano

Para o inverno 2012 que chega agora às lojas, Ford se reinventou com leves pitadas eróticas usando metal em cintos e super-zíperes que transformam vestidos. Gwyneth Paltrow arrasou no Oscar 2012 vestida em Tom Ford!

Tom provou seu talento como diretor de cinema em 2009 com o filme “ A Single Man”. Um filme intenso em sua mensagem comportamental e de incrível equilíbrio estético.

‘A Single Man’, retrata, segundo o próprio Tom Ford, o período de sua vida em que deixou a direção criativo da Gucci e YSL

Um renascentista contemporâneo, Tom encerra em suas criações a paixão que move a conquista a qual todos nós desejamos obter. Capaz de manter-se sempre no alto da pirâmide mesmo sem fazer-se presente fisicamente, Tom Ford é ícone, referência na história e da indústria da moda.

O estilista em foto de lançamento de sua primeira coleção feminina sob a marca Tom Ford

Hoje o universo das tendências flerta em propor o retorno aos anos 90 do século passado. Caberá a todos reconhecer em Tom Ford a referência do poder criativo de tal década.

Para mim, Tom Ford lembra a música dos Titãs que diz: ‘Desejo, necessidade, vontade!!! É! …

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