Ralph Lauren, Adidas e Penalty: o bom, o ruim e o pior das parcerias esportivas

As Olimpíadas de julho se aproximam. E junto com nossas expectativas, principalmente para o Brasil (sede dos Jogos Olímpicos e da Copa de 2014), começam a surgir algumas notícias que muito tem a dizer sobre o bom, o ruim e o pior da relação entre moda+esporte.

Escolhemos uma notícia para cada categoria. Sem seguir, necessariamente, uma ordem:

>> RALPH LAUREN

O uniforme olímpico dos Estados Unidos causou polêmica por ter fabricação chinesa

A polêmica causada pelos uniformes olímpicos da Ralph Lauren deram resultado. Na sexta-feira 13, políticos vieram a público para dizer que as roupas de seus atletas americanos não deveriam ter sido fabricadas na China.

O deputado democrata Steve Israel não concorda que seu país tenha 600 mil postos de empregos vagos na indústria para que o Comitê Olímpico terceirize a fabricação para a China.

E ele está certo, mas o Comitê também. Explico: moda é economia, cortar gastos é uma constante. Por que você acha que as marcas brasileiras temem a chegada de grifes internacionais com produção chinesa?

Croquis da coleção desenvolvida pela Ralph Lauren

Americanos são tão patriotas. Deveríamos aprender com eles.

A taxa de desemprego nos Estados Unidos está em 8,2% – o que dá, inclusive, muito pano pra manda aos debates sobre a reeleição de Obama.

Voltando, tanto barulho deu resultado. A Ralph Lauren se comprometeu a produzir uniformes made in USA para os Jogos de 2014.

E na segunda-feira 16, os senadores americanos apresentaram projeto de lei para que o Comitê seja obrigado a produzir uniformes americanos dentro dos Estados Unidos para as futuras Olimpíadas.

>> ADIDAS

Registro de uma das trabalhadoras da fábrica de Shen Zhou e seu neto. Ela levaria
dois meses para comprar um dos produtos que produz para a Adidas

A polemica estendeu-se. A Adidas também foi vítima de acusações e negou, na segunda-feira 16, pagar baixos salários aos funcionários de sua fábrica de produtos para as Olimpíadas de 2012. A marca esportiva é um dos grandes patrocinadores dos Jogos Olímpicos que acontecem em Londres.

A denúncia feita pelo jornal London Sunday Telegraph dizia que os trabalhadores da fábrica de Shen Zhou (perto da capital do Camboja) recebiam 120 dólares por um mês de trabalho – 10 horas por dia, seis dias por semana.

Os quartos onde vivem os trabalhadores são alugados. A maioria
deles (quartos) pertencem à fabrica

Além do salário, esses trabalhadores estariam vivendo em condições precárias, dormindo três pessoas em cada cama.

A média salarial foi confirmada pela Adidas em comunicado: “trabalhadores da fábrica ganham uma média de 130 dólares por mês, que é bem acima do salário mínimo. Além disso, todas as fábricas que trabalham conosco estão sujeitas a auditorias de trabalho, saúde e segurança”.

>> PENALTY

Sport e alfaiataria são mostrados na coleção masculina de verão 2012-13 da Gustavo Lins
em Paris, uma parceria com a marca brasileira Penalty

De olho na Copa do Mundo de 2014, o estilista brasileiro Gustavo Lins juntou-se a marca de artigos esportivos Penalty para uma coleção masculina de verão 2012-13.

A principal inspiração para os tênis de couro? Futebol, claro. Paixão nacional!

“É uma ponte entre o mundo da alfaiataria aqui na Europa e algo mais relaxado, mistura forte e leve, masculino e feminino”, afirmou o estilista à AFP depois de apresentar a coleção em Paris.

Não encontrei informações sobre a comercialização desta coleção. Surpreendentemente, a marca Gustavo Lins não tem ponto de venda no Brasil. Shame on us!

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